O Sul

O Sul é uma terra árida, de estações fracas e cujas terras mais habitáveis são poucas e distantes entre si — e tornam-se menos numerosas ainda à medida que se avança pelos infindáveis desertos flamejantes, que marcam a fronteira com o Pólo Elemental do Fogo.

Para além da fértil faixa costeira, a paisagem rapidamente torna-se seca e estéril — uma região cruel e inclemente, como muitos de seus habitantes. O povo das cidades não é menos agressivo, a despeito do quão compassivo possam ser com seus semelhantes. A brutalidade das terras áridas deixa suas marcas por toda região, e estrangeiros fazem bem em lembrar-se disso.

Próximo ao mar, o clima mistura-se lentamente com as florestas tropicais ao leste, onde as chuvas são freqüentes. Mais ao sul, as oliveiras e a grama vão dando lugar aos arbustos e ervas daninhas, e então para ravinas banhadas pelo sol, e, finalmente, para areia e rochas improdutivas e escassos oásis. O sudeste é coberto por gramados, que se tornam savanas e florestas à medida que nos aproximamos do Leste. Nessa região, hienas e dinossauros mothafocka lagartos tiranos percorrem as planícies, onde os nativos agrupam seus rebanhos e fazem guerra com as outras nações rivais.

O Sul vive do comércio, especialmente dos lucrativos mercados de gemas, pó de fogo, drogas e escravos, centrados nas cidades de Gem, Paragon e Chiaroscuro. Cada uma dessas metrópoles, as maiores do Sul, abriga mais de um milhão de habitantes, e quase todos dependem, de uma forma ou de outra, do comércio para viver. Eles são patrocinados pela brutalmente oprimida subclasse de agricultores, situados além das muralhas das cidades, que cultivam alimentos para o abastecimento delas e, também, produzem açúcar, tabaco, seda, algodão e haxixe para exportação. Mais ao sul, existem tribos nômades rivais que brigam e roubam umas das outras para sobreviver, viajando de oásis para oásis em cavalos, camelos ou outras estranhas bestas. Além deles, há as areias escaldantes, onde pó de fogo e gemas são abundantes.

Com o fim da Primeira Era, muitas das gloriosas cidades do Sul caíram ou foram destruídas, e as poderosas magias que os protegiam das secas e tempestades de areia definharam, juntamente com o restante dos Solares confrontados pelos Draconianos. A invasão do Fair Folk, durante o Grande Contágio, foi mais destrutiva ainda, uma vez que eles não são afetados por fome ou outras necessidades mortais. Quando as terras férteis eram devastadas, os oásis secavam ou os suprimentos eram destruídos, não havia meios para os
mortais que habitavam essa região repararem os danos. Então, Liga após Liga, as regiões habitáveis do Sul diminuíam, e os desertos cresciam, devorando o que fosse deixado para
trás. As tribos do deserto cresciam, à medida em que agregavam refugiados desesperados, escravos e até outras tribos. As cidades que sobreviveram tornaram-se ditaduras ou adquiriram estranhas novas regras, esforçando-se para manterem seu poder ou rechaçarem invasores.

O típico sulista tem pele negra com cabelos louros, pretos ou vermelhos. Muitos deles mantêm seus cabelos o mais curto possível: cabelos baixos e barbas enfeitadas são praticamente regras nos ermos. Cabelos cuidadosamente penteados são norma entre os ricos nas cidades, onde uma longa barba é o sinal de auto-privação — normalmente santidade ou loucura. Aqueles com condições vestem seda, enquanto o restante veste algodão. Apenas os mais pobres vestem lã, e vestir couro é considerado um convite a má sorte. Sulistas tendem a ser extremamente supersticiosos, falando bastante sobre sinais e presságios, e qualquer sulista pode calcular o próprio horóscopo. Eles costumam realizar inúmeros pequenos sacrifícios diários para seus ancestrais, para espíritos sortudos, para os patronos de suas cidades ou tribos, e assim por diante. A estrutura familiar é patriarcal, e casamentos são negócios contratuais de grande complexidade legal.

Ao longo dos desertos do Sul, habitam as tribos nômades, viajando entre os oásis em cavalos ou camelos. Cada tribo tem seus próprios costumes, mas uma lei é comum para todas: poluir um oásis ou envenenar suas águas é um crime punido com a morte. Algumas tribos do extremo Sul convivem com bárbaros da Wyld, e eles andam cobertos quando viajam perto de outras tribos, para não exibir suas marcas e deformidades. Nos solos sombrios do Sul, como o Arroio do Véu de Ébano, fantasmas e mortos-vivos viajam pelos mesmos caminhos que usavam quando vivos, e o odor de sua carne pútrida é sentido de longe por meio dos ventos.

Bem ao oeste das outras cidades-estado, no lado oposto das Montanhas de Fogo de An-Teng, está o Colo. Seu nome deriva de sua localização: a montanha inteira é esculpida na forma de um eremita meditando em posição de lótus, e a cidade fica em seu “colo”. Esta região é um centro agropecuário, produzindo principalmente milho e polpa, e exportando grande parte de suas colheitas de grãos para a Ilha Abençoada. O Colo paga tributos ao Reino e é governado por um conselho de anciãos. O fato de estar próximo às forças do Senhor da Morte conhecido como o Primeiro e Esquecido Leão (forças que perfuram as Montanhas de Fogo como vermes em um cadáver em decomposição) não contribuem em nada com o bem-estar do Colo ou do Reino.

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